Real de Catorce

Real de Catorce ficou mais conhecido depois das filmagens do longa “A Mexicana” com Julia Roberts e Brad Pitt. A cidade literalmente se esconde, pois fica no meio de uma cadeia de montanhas ao norte do México no estado de San Luis Potosí. A entrada da cidade se dá pelo túnel Ogarrio, com 2,3 quilômetros de extensão.  A cidade está localizada a 2 750 metros acima do nível do mar, e hoje possui aproximadamente 1 800 habitantes.

Atualmente, um dos principais motivos que Real recebe turistas de todo o mundo é pela magia que a região oferece através do famoso Peyote, um cactus alucinógeno utilizado nos rituais da tribo Huicholes e também pela energia magnética encontrada no solo. É no deserto de Real de Catorce que o Peyote é encontrado facilmente e pode ser consumido, fora do deserto o consumo e o plantio do cactus é ilegal.

O centro da cidade também é interessante, com suas ruas de pedra, seu artesanato, sua gastronomia e a Paróquia da Imaculada Conceição. Um dos pratos típicos é a Gordita de cabuches. Gordita é uma massa feita com farinha de trigo e água. Cabuche é o broto da flor do cactus Biznaga de espina roja, também só encontrado na região. Com queijo este recheio fica uma delícia! Outras atrações turísticas da região são o Pueblo Fantasma e o Cerro del Quemado, que falarei nos próximos posts.

Quero aproveitar para contar um pouquinho da história de Real.  A cidade foi fundada no ano de 1779 com a descoberta das minas de prata. Os primeiros anos de produção contribuíram para tornar o México um dos maiores produtores de prata da época, e o povo de Real bem de vida! A partir do ano de 1821 as coisas mudaram. Algumas mineradoras internacionais se instalaram ali e o povo passou a ser assalariados. Os salários eram baixos e muitas vezes a mão de obra era trocada por comida e artigos de necessidades básicas. A situação política do país também estava desestabilizada, o que contribuiu para piorar a situação de Real de Catorce. Em 1910, por causa da Revolução, o trabalho nas minas foi suspenso e em torno de 15 mil pessoas deixaram a cidade, chegando a 250 o número de habitantes de Real.  

Vale a pena visitar a cidade, pois a sensação é de voltar no tempo. A única dificuldade que encontramos durante nossa estadia foi dormir. O sino da paróquia toca de 15 em 15 minutos, todos os dias, e se ouve o barulho das mulas, das galinhas, e dos cachorros na rua. Segundo um senhor que nasceu em Real, foi por esse motivo que a Julia Roberts não ficou hospedada na cidade durante as gravações do filme: uma mula não a deixava dormir (engraçado)! Ela ia todos os dias de jatinho até Monterrey que fica a quase 400 quilômetros da cidade. Já o Brad não tinha frescuras, ficou hospedado em Real mesmo. “Las ticas de Catorce estaban muy locas por el”, relatou o senhor.

Chegando em casa é claro que fomos assistir o filme “A Mexicana”, e foi muito legal ver os lugares que visitamos neste fim de semana. Fica a dica para quem quiser conhecer melhor Real de Catorce e uma bela história de amor. 

Inaugurado em 1901, o construtor do túnel foi um nativo da cidade de Ogarrio, Espanha.
Esta foi a última grande construção em Real de Catorce antes da sua decadência.
Foto: A autora
Entrada da cidade Real de Catorce
Foto: A autora

Artesanato local
Foto: A autora

Músico e os guias turísticos
Foto: A autora
Vista de Real de Catorce com a paróquia Inmaculada Concepción
Foto: lonelyplanet.com

Cactus Peyote
Foto: Marely Cg

Comentários

  1. Muito interessante esta matéria sobre Real de Catorce. Realmente é uma cidade perdida no tempo...

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    1. Verdade! Mas vale a pena conhecer! Os próximos posts vou falar do Pueblo Fantasma e do Cerro del Quemado, uma paisagem linda! Bjs!

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