Escrever sobre uma cidade, uma
cultura ou um povo, não é tarefa fácil. Existem os estereótipos, que tem suas
verdades, mas não são eles que definem toda uma história. Escrever sobre uma
cidade, uma cultura ou um povo, está longe de ser tarefa fácil! Depende muito de como foi
esse intercâmbio e em qual momento da (sua) vida aconteceu o encontro.
Talvez por isso eu ainda não
havia feito nenhum post no blog sobre Palermo. Tenho anotações desde que
cheguei na cidade, e relendo elas, vi o quanto as minhas percepções mudaram! Ou
já estou me acostumando com o jeito de levar a vida na Sicília? Seja qual for a
resposta, a temporada na ilha está chegando ao fim, e me sinto um pouco
nostálgica, principalmente porque agora me permiti viver la bella vita sem culpa, porque sinto que fiz
amizades verdadeiras, porque passou aquele calor intenso, porque meu paladar ficou mais apurado em relação à
culinária italiana - não é toda pizza que é maravilhosa na Itália, sempre vai ter o lugar
que prepara a melhor diavola, por
exemplo. Também tem o lugar da melhor parmigiana,
da melhor pasta alla norma, da melhor
caponata, do melhor sfincione, do melhor arancine, do melhor cannolo. Digamos
que a culinária siciliana merece um post
à parte! Assim como as belezas naturais!
Eu achava que já tinha visto os
lugares mais lindos da minha vida, com mar, pedras, montanhas, vulcões,
templos... e os sicilianos dizem que não vi nada ainda, principalmente quando
se trata de natureza exuberante + tramonto
(por do sol). Mas cada local que visitei, foi incrível e sinto que
aproveitei muito! O circuito Arabo-Normanno, as idas a Mondello e Riserva
Capo Galo, a praia de San Vito lo Capo (onde também trabalhei), Tonnara del
Secco, Sferracavalo, Barcerello, Cefalù, Taormina, Montelepre (este local também merece um post a parte). Para a próxima
vinda, tenho alguns locais na lista como Isole Eolie, Riserva de lo Zingaro,
Saline di Trapani e Marsala, Favignana, Agrigento, Etna... Acho até que é bom não “ver tudo”, assim temos mais motivos para voltar, e visitar com tempo (isso aprendi em Nova Iorque), e com dinheiro (isso aprendi no México). Rsr
O legal de estar em Palermo e
trabalhar num B&B muito charmoso, foi também relembrar a essência da
hospitalidade, porque os sicilianos são mestres nisso! Sempre oferecem um bom café,
doces ou frutas, gostam de uma conversa, se interessam e apreciam o tempo offline. Tive algumas "brigas" na hora de pagar a conta num bar ou restaurante, pois mesmo o convite vindo de mim, eles insistem em pagar. Enfim, os sicilianos apreciam muito os gestos de carinho e hospitalidade em troca.
Quem não? Eu e o Gui recebemos hóspedes de diferentes locais da Itália e o intercâmbio cultural foi muito enriquecedor. Também recebemos visita de grandes
amigos e família! Só no finalzinho (acho que tinha perdido a prática de receber
pessoas em casa) é que aprendi a deixar as pessoas tirarem suas próprias
conclusões da cidade e a fazer menos comparações. Estamos em constante
aprendizado, certo?
E porque não ficar mais tempo na
Sicília? A alta temporada está terminando, nós temos novos desafios pela
frente e existe aqui um problema relacionado ao trabalho, purtroppo. Na maioria dos negócios (conversamos com muita gente sobre isso), a gestão ainda é all’antica, onde o chefe não pensa como equipe, e neste ponto o
Brasil está muito a frente. Os contratos de trabalho são escassos, assim como os
benefícios, os salários são baixos, quando pagam... Infelizmente tem muita gente de 40, 50 anos desempregada, muito jovem formado trabalhando como cameriere de hotel.O bello daqui é o vínculo com a tradição familiar, técnicas passadas de geração em geração, o fatto
a mano, a qualidade do made in Italy. Acredito que poco a poco as coisas vão melhorando e não é por nada que a cidade foi eleita a Capitalle Italiana della Cultura 2018 e ano que vem também acontece aqui a bienal Manifesta. Palermo é essência, é caos, é vida, é barulho, é cor e sabor. E tem muito potencial!
Enfim, posso escrever ainda muito mais sobre
Palermo, minhas experiências, percepções e
aprendizados – um sábio amigo me disse que estou aprendendo muito mais do que imagino. O meu desejo hoje, finalizando o texto e a temporada na
Sicilia, é que o sol nunca deixe de brilhar para os sicilianos e que os amigos
queridos do Brasil tenham a oportunidade de visitar a ilha e aproveitar o
melhor dela, que na minha opinião, é o mar, a comida e as pessoas!
Ah, Palermo!
Mi mancherai.
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Tramonto Barcarello
Foto: Valentina Celano |
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B&B Le Biciclette San Vito lo Capo
Foto: A autora |
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Monte Monaco e a lua
Foto: A autora |
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Eu + Gui em Palermo
Foto: A autora |
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Piazza Pretoria
Foto: Gui Z.
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Mondello
Foto: A autora |
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O mar da Riserva Capo Galo
Foto: Gui Z.
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Passeio de bike
Foto: Gui Z. |
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Via dell'Orologio
Foto: A autora |
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Tra amici Antonio e Giusi | Tete a The
Foto: A autora
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Vespa e Bouganville | Típico siciliano
Foto: A autora |
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Quattro Canti
Foto: A autora |
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Cattedrale di Palermo
Foto: Valentina Celano |
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Cefaù
Foto: A autora |
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Flor de cactus
Foto: A autora |
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A melhor pizza diavola comemos em Cefalù
Foto: A autora |
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Mercato il Capo
Foto: A autora |
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Visita dos dindos Carla e Lucas
Foto: Lucas |
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Eu e Nena em Cefalù
Foto: A autora |
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Aperitivos sicilianos
Foto: A autora
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B&B Le Biciclette San Vito lo Capo
Foto: A autora
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Praia San Vito lo Capo
Foto: A autora |
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Tonnara del Secco
Foto: A autora |
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Murale Falcone e Borsellino | Palermo
Foto: Gui Z. |
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Mondello e Riserva Capo Galo
Foto: A autora |
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Fera O Luni em Catania
Foto: A autora |
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Taormina
Foto: Desconhecido |
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Cantinho charmoso em Taormina
Foto: A autora |
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Eu e Eva | Tetto Cattedrale di Palermo
Foto: Gui Z. |
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A melhor parmergiana com o amigo Giorgio Vitrano
Foto: A autora
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Gui, eu, Valentina, Giuseppe e Ingrid | Monreale
Foto: Desconhecido
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B&B Le Biciclette Palermo
Foto: Floriana |
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Murale Uccellini com Giulia | Montelepre
Foto: Glória Migliori
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Io e la biciclette | Porta Nuova
Foto: Valentina Celano |
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